Quem acompanha os meus posts na página no Facebook do Uma Questão de Estilo, pode ver que lá tem um álbum de fotos chamado “Crianças fashionistas”. Afinal, quem não ama ver fotos de uma criança fofinha e bem vestida? Porém, um dia desses, eu vi uma matéria antiga do site M de Mulher sobre as crianças mais estilosas do Instagram e fiquei meio injuriada, porque, muitas das “crianças mais estilosas do Instagram”, não se parecem exatamente com crianças. Gente, quando foi que as crianças começaram a preferir ganhar roupas a brinquedos? Isso não pode ser normal, não.
Parece que resolveram apagar aquela linha que classifica – ou deveria classificar – as coisas entre “de criança” e “de adulto”.
Outro dia, li em algum lugar que a fase dos vinte anos representa a adolescência de hoje em dia e que a fase dos trinta representa os novos vinte. Assumo que considero o lado positivo disso bem maior do que o negativo, porque, há alguns anos, uma pessoa de trinta e poucos anos já era considerada velha e precisava seguir uma vida de muitas privações. Hoje, ter 60 anos significa ainda ter toda a vida pela frente. Porém, também penso se essa adolescência tardia não acontece devido a carência que se fica, por não ter vivido a infância no momento certo. Entendem o que eu quero dizer? Invés de brincar, a criança fica preocupada em se vestir bem, em ter o celular do momento e a arranjar um namorado. Vocês não tem noção da quantidade de crianças da minha rua que já vi dançando funk proibidão. E todas essas coisas não são coisas de criança. Imagino que depois elas cresçam e tentem recuperar o tempo perdido, assim, criando uma resistência em amadurecer. E a pior parte é que a grande responsabilidade por fazer esse tempo se perder, é nossa, dos adultos.
Não sei se essa minha teoria realmente faz algum sentido. Talvez não. De qualquer forma, acho que crianças não deveriam ser criadas em torno de vaidade e consumismo. Elas não estão preparadas para usar esmalte e maquiagem. Não precisam ter uma bolsa Chanel. Aliás, nem sequer precisam ter uma bolsa. Primeiro, porque a gente não sabe o que o futuro reserva para essas crianças. A gente não sabe se um dia algo pode acontecer e elas venham a perder todas essas coisas. Elas podem vir a adoecer ou seus pais podem passar por alguma crise financeira. Claro que nenhum pai vai querer imaginar isso para a vida de um filho, mas cria-los em um mundo de ilusão não é a melhor forma de protegê-los. E segundo… Bom, sinceramente, crianças não ficam bonitas fantasiadas de adultas. É só assistir aquele programa “Pequenas Misses” do Discovery Home Health, onde meninas precisam usar cílios postiços, apliques de cabelo, vestidos caros e parecem tão bitoladas com a ideia de ser a mais bonita, que transformam tudo aquilo em um show de horrores. Isso não é fofo. Sou só eu que acha isso? Será que estou ficando velha e careta demais para imaginar um mundo perfeito, onde crianças chegam da escola, tira o uniforme e coloca um conjunto de moletom – ou qualquer outra roupa própria para brincar – sai na rua e anda de bicicleta; joga pega-pega e esconde-esconde; brinca de boneca e/ou carrinho e não se preocupa com coisas que terão a vida toda para se preocupar? Ás vezes – quase sempre – eu me sinto bem mais criança do que as crianças de hoje em dia. É que eu estou na fase dos vinte e tantos anos.